quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Culpa é das Estrelas - Uma Aflição não tão Interminavel

"Alguns infinitos são maiores que outros"

Bem amigos do BiraBlog. Tudo bem com vocês? Então, esse talvez seja o inicio de uma nova era de posts, talvez seja apenas mais uma das minhas tentativas de retorno, mas em suma, é o inicio de uma possivel coluna aonde eu opinarei sobre literatura em geral (até quadrinhos) então preparem-se pra todo o tipo de baboseira.


A alguns dias vi minha irmã lendo esse livro, que ela pegou emprestado com uma amiga e, como ela conseguiu terminar em tempo recorde, resolvi pegar pra ler. Alguns poucos dias depois (acho que foram três), eis que termino e, olhem só, tenho vontade de escrever de novo.

Um livro essencialmente existencialista. É basicamente o que tenho a dizer sobre ele. Os diálogos sempre repletos de ironia e sarcasmo, além de algumas referencias a cultura pop (o programa favorito de Hazel é American Next Top Model e ninguém me tira da cabeça que Counterinsurgence não é uma referencia a Halo, além de também pensar que o The Heretic Glow possa ser algo parecido com o Radiohead) criam uma relação de proximidade muito bacana com os personagens e os torna adolescentes criveis. 
As metáforas são um caso a parte e foi o que eu mais gostei no livro. Se John Green fizer um livro de citações, ficarei tentado em comprar. Sim. Eu gosto de metáforas e as uso MUITO pra brincar quando não tem ninguém por perto pois pode parecer muito estranho alguém fazendo comparações abstratas conversando numa praça qualquer ou com a mãe dentro de casa e eu tento ser o menos estranho possível.

Hazel Grace é carregada de um niilismo exacerbado, o que a tornou um personagem bastante curioso pra um YA. Curiosamente, eu não pude deixar de pensar que um amigo meu seria idêntico a ela se chegasse a esse nível de depressão por conta do vocabulário repleto de adjetivos que ninguém, a não ser escritores, usa.
Contemplativo e reflexivo, é difícil você não se interessar pelo personagem de Augustus Waters, o primeiro jock nerd que me lembro de ter visto em alguma mídia. Mesmo contendo todos os clichês do mundo em um só personagem (todos não, ele não tem uma perna. ok, podem me processar. mentira. não façam isso.) ele ainda sim me soou interessante.

Se você tem mais de 20 anos (e quando digo isso, me refiro a sua idade mental), pode ser que sinta que falta alguma coisa no livro. Ou então mesmo, agora fazendo uma "affonsosolanização" do vocabulário deste post, tenha adquirido personal attachments que o permitam sentir a história como o autor a pensou para que fosse sentida. Isso dependerá muito da maturidade, das experiências passadas e carga cultural que se carrega. Curiosamente, creio pertencer aos dois casos e a nenhum deles ao mesmo tempo.

Como um YA, ele faz muito bem o seu trabalho. Divertido em todos os momentos, emocionante quando tem que ser e, apesar de eu ter achado o terceiro ato muito corrido, com um bonito final. Talvez não o que eu esperasse, com certeza não o que eu queria mas, mesmo assim, um bonito final, embora previsível.

Leitura recomendada a qualquer um, mas vá de coração aberto e não se deixe levar pelo hype. Em meio a tantas reflexões ressonâncias metafóricas percebidas naquele mundo, talvez você encontre uma que faça sentido pra você. Talvez eu até faça um post estilo Maurício Saldanha e brinque um pouco com elas. Talvez eu guarde isso em meu infinito particular. Que fique a cargo das estrelas decidir.

Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green

Editora: Intriseca