quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Nome do Vento - O bardo, o arcanista e o Chandriano.

"Já fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano e Kvothe, o Matador do Rei. 
Mereci esses nomes. Comprei e paguei por cada um deles."

Meus amigos, cá estou eu novamente, depois de tanto tempo. Andei muito parado de diversas coisas nesse ultimo tempo mas como dizia Cazuza, "o tempo não para". E justamente por ele não esperar ninguém, resolvi voltar a fazer as coisas que eu gosto, que inclui escrever aqui.Este não foi o ultimo livro que eu li. Não que eu tenha lido muita coisa nos últimos meses. Mas eu devo ter pelo menos mais uns dois ou três livros para comentar, o que me dá tempo de ler mais e manter uma certa regularidade. Agora chega de papo furado e vamos a resenha de um dos livros que mais conseguiu me prender até hoje.



O livro conta a história de Kvothe, membro dos Edena Ruh, o mais famoso de clã de artistas itinerantes dos Quatro Cantos da Civilização. Nômades, ganhavam a vida de cidade em cidade apresentando toda sorte de espetáculo e fazendo valer sua fama, até que, em uma noite, sua caravana foi atacada e todos, exceto o ainda criança Kvothe, foram mortos por uma entidade sobrenatural que se acreditava fazer parte apenas de cantigas infantis conhecida como "O Chandriano". A partir desse momento, inicia-se a busca de Kvothe por poder e vingança.

No início da trama, somos apresentados a um Kote, dono e residente de uma hospedaria em uma pacata cidade possivelmente em algum lugar interiorano aonde tem acontecido algumas coisas estranhas, vistas por muitos como aparições demoníacas. Uma noite, durante um incidente com uma dessas criaturas, surge na cidade um cronista. Ele veio em busca da história daquele que se tornou um mito diante de todos os seus feitos e que desapareceu sem deixar rastros a dois anos. Ele veio em busca de Kvothe, ou Kote, como ele se denomina agora.

Eu já havia visto este livro a muito tempo atrás em algumas das livrarias aqui perto de casa e sempre senti curiosidade mas confesso que só resolvi mesmo compra-lo quando meus amigos Pepeto (que eu já mencionei aqui), Harry e Caps começaram a falar muito mesmo dele no ano passado.
Usei todos os meus skills de bom menino e o ganhei de presente junto com alguns outros títulos que provavelmente resenharei esse ano. Foi minha melhor aquisição literária do ano passado.

Em todas as minhas resenhas sobre a trilogia Jogos Vorazes (que vocês podem encontrar aqui), eu reclamei e muito da forma de narrativa, que o narrador personagem atrapalhava a dinâmica da história e tals. Não sei se foi porque depois de três livros eu já estava suficientemente acostumado com esse tipo de narrativa ou se Patrick Rothfuss soube fazer isso melhor do que Mrs Collins mas eu não me senti nem um pouco incomodado dessa vez. E digo mais: tinha que ser desse jeito.

Rothfuss criou um universo tão extenso e tão interessante que me fez querer aproveitar tudo o que está contido nele. Cada música, cada história, cada lenda e lugar são atrações a parte e eu gostaria muito que fosse lançado ao fim da trilogia um livro extra apenas com as histórias e contos que compõe o universo em questão, bem como as músicas e tudo mais. Quem sabe um livro só explicando o sistema de alquimia? Se alguém bolar um sistema de RPG baseado nisso, eu adorarei participar do grupo. Só comentando, lógico...

A música é um caso a parte. Todo o livro é repleto de música e isso pra mim foi uma coisa excepcional.
A maior parte dos que lêem esse blog não devem saber mas eu também sou músico (podem conferir meus trabalhos aqui e aqui) e acho que a presença tão forte da arte por toda a história me fez entrar ainda mais no mundinho e acompanhar a história de uma forma mais visceral do que alguém que não viveu certos tipos de situação. 
SPOILER ZONE a sequência em que ele toca na taverna para pegar uma espécie de flauta de prata que o tornaria um músico remunerado na casa é uma das passagens que mais me emocionou em todos os livros que eu já li e eu tive que fechar o livro depois de lê-la para curtir todo o sentimento que ela tinha instaurado em mim. /SPOILER ZONE
Fora esses detalhes do background, temos ainda toda uma explicação da formação da psique do protagonista, seu amadurecimento e a evolução não só dele como de todos os outros personagens ao redor. Ele conseguiu explorar os problemas de uma infância abruptamente interrompida de uma forma que eu não esperava de um livro para jovens adultos. Toda a passagem dele por Tarbean, embora um tanto arrastada, é muito calcada nesse reborn que todos temos que dar depois de passar por qualquer tipo de problema.

Esse livro com certeza entrou pra minha galeria de favoritos e foi uma das melhores experiências literárias que eu tive no fim do ano passado/início desse ano. Uma curiosidade é que esse foi o primeiro livro escrito por esse autor e ele começou da melhor forma possível. Estou ansioso para por minhas mãos no segundo volume da série, que saiu no ano passado na nossa Pindorama e muito apreensivo pra que saia logo o terceiro, que infelizmente só deve dar as caras no ano que vem ou em 2015. No mais, eu super recomendo a todos esse livro. Enviem seus comentários, feedbacks e erratas via comentários no post. Vou tentar atualizar o blog com mais frequência e, quem sabe, apresentar algumas novidades por aqui. Até mais, galera.

Título: O Nome do Vento
Autor: Patrick Ruthfuss
Editora: Arqueiro
Nota: 5/5